Artigo no primeiro livro do Projeto #AcesseJOR, liderado pelo GJOL, PósCom | UFBA

Publicar é preciso, pelo menos na vida acadêmica. E quando essa publicação é de um trabalho que motiva? Tenho um capítulo com outros autores no livro recém-lançado #ACESSEJOR — Por um jornalismo digital acessível, inclusivo e inovador.

A publicação sai pela Editora LabCom (Universidade da Beira Interior) e é o primeiro produto do Projeto #AcesseJOR: protocolo de inovação social para o jornalismo digital (Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 18/2021).

O livro, cujo prefácio é assinado por Marcos Palacios, apresenta textos de pesquisadores/as que participam do projeto, bem como de autores/as convidados/as a colaborar com suas investigações, o que amplia o âmbito das discussões para além do que já foi abordado neste projeto, a partir dos Núcleos Conceitual, Design e Interação, Inovação e Estratégias.

Sete capítulos integram o livro, que se inicia com o detalhamento sobre o desenho da investigação do Projeto #AcesseJOR, seguindo com os textos acerca da abordagem sobre o campo conceitual e temático da acessibilidade; a relação entre inovação e acessibilidade a partir do que se observou em veículos jornalísticos nacionais e estrangeiros; a acessibilidade e a visualização de dados em produtos jornalísticos premiados; a reflexão sobre as deficiências das mídias e dos processos comunicacionais; o desenvolvimento de competências em acessibilidade digital nos cursos de jornalismo; fechando com o texto que discute a visualização da informação diante do desafio colocado pela acessibilidade.

O Projeto #AcesseJOR é liderado pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line (GJOL), do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Brasil, contando com pesquisadores/as de oito instituições, públicas e privadas, além de pesquisadores seniors do Brasil, Espanha, Portugal e Estados Unidos. Tem o objetivo de contribuir com as discussões acerca da acessibilidade no jornalismo digital.

Apresentação no JDMIA 2023 sobre Inteligência Artificial (IA) no jornalismo digital brasileiro

Participei este ano, no âmbito do meu doutorado sanduíche, do JMDIA 2023, evento hospedado a cada dois anos na Universidade Beira do Interior, em Covilhã, Portugal. Junto com a Professora Suzana Barbosa, apresentei o trabalho “Inteligências Artificiais (IAs) no jornalismo digital brasileiro: contexto histórico e processos inovadores”.

Assista a apresentação

Campanha política e inteligências artificiais?

Campanha política e inteligências artificiais? Sim, esse é um tema mais relevante do que você imagina. Dito isso, participo do episódio massa do Podcast Conjuntura Atual, com os queridos Paulo Maneira e Geraldo Honorato, no qual abordamos essa temática.

No episódio, falo como as IAs podem influenciar a política e as campanhas eleitorais. Vem que tem!

#podcast #marketingpolitico #eleicoes #conjunturaatual

Oficina de podcast no IFBA, uma outra casa minha

O Instituto Federal da Bahia (IFBA) me deu muito! Passei por lá há 13 anos, como estagiário da antiga “Rádia” e de assessoria de comunicação. E lá, ainda, tenho muitos amigos. Uma delas é Lilian Caldas, que foi minha “chefa” e ainda, hoje, faz muito pela comunicação e comunidade do IFBA.
Lilian me convidou e, na semana passada, ministrei uma linda Oficina de Podcast (quem me conhece sabe que “tengo mucho gosto”) para os alunos do Instituto. Foi muito massa! Andar pelas corredores do IFBA e falar com conhecidos e novas faces foi muito legal. Rejuvenesci 13 anos!

Obrigado IFBA!

“Hiperpersonalização” no jornalismo por meio de Inteligências Artificiais é apresentado no Congresso UFBA 2023

Na semana passada rolou Congresso UFBA 2023 ~ com pontapé na porta da pesquisa ~ e foi muito revigorante!

Participei de três mesas com pesquisadores do GJOL.

Na quarta, 15/03, participei da mesa “Plataformas de streaming e consumo cultural contemporâneo” junto com Joseph Straubhaar (UTexas em Austin), Suzana Barbosa (GJOL), Katia Morais (UNEB), Maíra Bianchini (UFBA). Discutimos o poder dos algoritmos nas plataformas de streaming. Defendi que o uso desses algoritmos, combinado com os milhares de tags e perfis gerenciados pelas próprias plataformas, podem criar uma “hiperpersonalização” (assim, junto) e experiências potencialmente únicas de consumo para cada usuário.

Na quinta, 16/03, participei da mesa “Projeto #AcesseJor: Protocolo de Inovação social para o Jornalismo Digital”. A mesa foi composta por pesquisadores de todo Brasil, como Suzana Oliveira Barbosa (GJOL), Carla Tonetto Beraldo (GJOL), Kati Eliana Caetano (UTP), Rodrigo Do Espírito Santo Da Cunha (UFPE), André Holanda (UFRRJ), Fernando Firmino Da Silva (UFPB), José Ednilson Almeida Do Sacramento (UFBA), Alexandro Mota (GJOL), Mariana Menezes Alcantara (GJOL), Raiza Tourinho (GJOL), Washington José Da Silva Filho (GJOL).

Hiperpersonalização no jornalismo por meio de Inteligências artificiais

Ainda na quinta, apresentei, com ajuda de Paulo Markun (GJOL) e Pedro Markun (hacker e historiador), a mesa “Inteligências Artificiais (IAs) e Produção de texto: o futuro da escrita jornalística”. Nesta mesa, apresentamos projeto experimental mostrando a potencialidade de hiperpersonalização de conteúdo jornalístico com ajuda de inteligências artificiais generativas. Na oportunidade, utilizamos o ChatGPT para evidenciar essa hiperpersonalização.

Em breve publicaremos um artigo com os dados apresentados.

Até lá, pode assistir nossa apresentação no Youtube do GJOL:

Vigilância artificial em São Paulo: o que isso pode significar

Smart Sampa é projeto da Prefeitura de São Paulo que quer reconhecimento facial e monitorar cor dos cidadãos

A cidade de São Paulo planeja contratar sistemas de vigilância inteligente para reconhecer “criminosos e vadiagem”. É, “vadiagem” mesmo! Seriam mais de 20 mil câmeras para esse monitoramento, além de integrar outras tantas câmeras e bases de dados já construídas por órgãos municipais. Hoje essas câmeras, sistemas e bases de dados não estão integrados. Ao integrá-los, a capital paulista quer criar um “Smart Sampa”, como é chamado o projeto.

Segue, como falamos aqui na Bahia, o gueri oficial:

A Smart Sampa tem previsão de integrar mais de 20 mil câmeras até 2024 e busca a modernização e ampliação no monitoramento de câmeras na Capital, agregando o conceito de Cidades Inteligentes. A iniciativa permitirá maior eficácia e agilidade no atendimento de ocorrências da Guarda Civil Metropolitana e demais órgãos de segurança.
A Smart Sampa possibilitará um monitoramento mais inteligente e especializado graças ao uso de analíticos, permitindo que os órgãos de segurança possam promover a filtragem instantânea de imagens de ocorrências. Com recursos de identificação facial e detecção de movimento, as câmeras reconhecerão atitudes suspeitas, pessoas procuradas, placas de veículos e objetos perdidos.

A nova plataforma ainda facilita a integração de diversos serviços municipais, como CET, SAMU, Defesa Civil e GCM, em uma única plataforma por meio da criação de uma moderna Central de Monitoramento Integrada.
Além disso, com as novas câmeras, os órgãos de segurança terão como monitorar escolas, UBS e demais equipamentos públicos, aumentando significativamente a segurança nesses locais. As câmeras técnicas contarão ainda com monitoramento de calor, facilitando a supervisão em praças e parques, que normalmente possuem árvores e áreas verdes que podem prejudicar uma vigilância mais precisa.

Em resumo, ele é baseado em três pontos:

  • Reconhecimento facial;
  • Monitoramento das mídias digitais;
  • E detecção da cor da pele dos indivíduos monitorados.

O quão isso pode ser errado, né? Tudo!

Reconhecimento facial por inteligências artificiais (IAs) são problemáticas. Elas (ainda) têm uma porcentagem de erro muito grande, os chamados falso positivos, que podem taguear alguém como “suspeito” sem, necessariamente, sê-lo. Algo mais ou menos parecido com que vive a imensa maior da população afro-brasileira ao adentrar em um espaços da minoria branca rica. Além disso, geralmente, essas tecnologias podem reforçar esses vieses e preconceitos por empresas, governos, programadores e bases de dados (sim, bases de dados também têm vieses). De modo geral, esse tipo de automatização pode reforçar “pressões” do estado sobre indivíduos e populações já marginalizadas.

Monitorar atividades nas redes sociais, contudo, já é algo feito por grupos de inteligências em diversos órgãos públicos dentro e fora do Brasil. Aferir o “sentimento” das redes é comum para detectar engajamentos e movimentos sociais. Podemos forçar um pouco e dizer que é “normal”. Contudo, não é difícil imaginar que cruzar esses dados com outras dados governamentais em busca de “vadiagem” ou “insurreições de movimentos sociais” possa gerar diversos questionamentos sobre predições (análises dos dados tendo em vista ações futuras) que podem emergir. Ao que parece, a ideia do Minority Report nunca sai da cabeça dos governantes.

Mas há quem já se adiantou.

A China faz isso já há alguns anos: se você vai para a praça protestar, coloca sua manifestação nas redes e é “pego” por uma câmera inteligente, é bem provável que seu score social (um tipo de score do Serasa deles, só que bem mais restritivo) vai baixar e, em alguns casos, você não pode nem mais sair de sua cidade por causa disso. É um tipo bem punitivo de vigilância estatal. Um tipo de panóptico inteligente. O Big Brother vive.

Em minha dissertação de mestrado, traço um pouco o panorama dos Centros de Comando e Controle Urbanos criados para a Copa do Mundo de 2014 que pretendiam se transformar em “panópticos governamentais” sobre as cidades-sede da competição. Em alguma medida, conseguiram. Mas seu controle estava mais para o ambiente urbano, trânsito, coordenação de forças de segurança pública, serviços públicos etc. Não tratavam de “vadiagem”. Pelo menos não à época.

No Smart Sampa o principal dedo na ferida vem ao reboque do reconhecimento facial, identificar a cor da pele das pessoas.

Mas, heim? Você pergunta. Apois! respondo.

Isso é ilegal? É. É descriminação do indivíduo por sua cor de pele. Mais uma vez, não é difícil imaginar que um indivíduo seja monitorado em vias públicas ou seja abordado apenas por sua “cor suspeita”. Isso é uma violação do direito básico de existência do indivíduo. É uma afronta à Constituição Federal.

Além de tudo isso, há outra questão que é preciso levar em consideração: os dados. Dados de reconhecimento, mídias sociais (que a maioria das pessoas publica livremente) e, por incrível de pareça, detecção de cor são pessoais – óbvio! A má gestão desses dados pode causar prejuízo aos indivíduos e comunidades e comprometer sua privacidade e segurança. Óbvio!

Enquanto tecnologia, as inteligências artificiais (IAs) não só más por si. Mas podem ser apropriadas, utilizadas de maneira errônea, equivocada ou com má intenção. Este projeto Smart Sampa parece ser uma junção dessas matrizes. Já é um projeto que nasce burro, é um “Dumb (burro) Sampa”.

Enquanto sociedade, temos que usar as tecnologias em ambientes e serviços públicos com muito cuidado. Discussões e aparagens de arestas são necessárias para prover a melhor utilização dessas tecnologias ao ambiente social ao, por exemplo, tentar mitigar seus vieses. Algumas simplesmente não são convenientes, como o reconhecimento facial automatizado por IAs.

E ponto.

Você pode ver a documentação do projeto clicando aqui. https://participemais.prefeitura.sp.gov.br/legislation/processes/209

Endereçamento do impacto das inteligências artificiais (IAs) no jornalismo: o ponto de vista de jornalistas e acadêmicos

Conhecemos inteligências artificiais (IAs), ou pelo menos seu conceito, desde os anos 1950 mas somente nas últimas duas décadas notamos o quando se entremearam na vida contemporânea, em uma sociedade cada vez mais datificada (ou dataficada, para alguns) – e até por isso mesmo. IAs podem produzir outputs, saídas, soluções, produtos etc., similares aos produzidos por humanos. Elas podem mimetizar ações humanas. No que nos tange, o jornalismo não escapa desta realidade.

Para Amaya Noian-Sánchez (2022), da Universidade Rey Juan Carlos de Madrid, IAs podem ajudar o jornalismo em:

– coleta e organização de dados

– detecção de informações

– verificação de desinformação (ex: deep fake)

– melhora da capacidade de trabalho do jornalista

– desenvolvimento e aprimoramento do jornalismo investigativo

Todavia, também cria desafios. O papel do jornalista da produção de notícias passa a ser remodelado, bem como este pode passar a ser substituído por IAs em algumas áreas da redação ou mesmo na produção de certos tipos de notícias, como esportivas, financeiras ou sobre condições climáticas – todas muito estruturadas em dados. Além disso, podem tirar do jornalista o papel de interação com as audiências.

Em verdade, a matriz entre IAs e jornalismo resulta no jornalismo automatizado ou jornalismo computacional ou jornalismo robotizado etc. Não importando sua denominação, este é um campo de estudos crescente nos estudos de jornalismo, especialmente jornalismo digital.

Um dos pontos importantes no jornalismo automatizado é compreender a relação de colaboração entre jornalistas e Inteligências Artificiais. Hoje há um gap de compreensão dos jornalistas de como IAs podem ajudar ou afetar seu trabalho, e isso, segundo Noian-Sánchez (2022), se desenvolve em medos e preconceitos dos profissionais frente essas novas tecnologias. E muito desse gap se dá pela falta de qualificação ou atualização tecnológica universitária e profissional.

Amaya Noian-Sánchez da Universidade Rey Juan Carlos de Madrid

O texto “Addressing the impact of Artificial Intelligence on Journalism: the perception of experts, journalists and academics” de Amaya Noian-Sánchez (2022) traz um bom panorama do impacto das IAs na vida de jornalistas e no contexto atual do jornalismo a partir do ponto de vista de profissionais e acadêmicos da área. Algumas ideias interessantes são levantadas, como a proposição de que jornalistas precisam desenvolver um perfil híbrido para conseguir trabalhar em colaboração com IAs. Outras discussões são abertas em controvérsias com os entrevistados, como por exemplo, o fato de que não há consenso se jornalistas precisarão ou não aprender a programar para lidar melhor com IAs em seu ambiente de trabalho informativo.

Os próximos anos, no entanto, nos reservarão novas oportunidades de observação sobre como IAs (re)agregarão o jornalismo e seus profissionais. Por ora, uma coisa é certa: o trabalho colaborativo entre jornalistas humanos e jornalistas robôs já é uma realidade irrefutável e que se estende por redações em toda aldeia global.

Referências:

Noain-Sánchez, A. “Addressing the Impact of Artificial Intelligence on Journalism: the perception of experts, journalists and academics”. Communication & Society. 35 (3), 2022, 105 – 121. Disponível em: <https://revistas.unav.edu/index.php/communication-and-society/article/view/41216>

Meu primeiro livro: Caboclos, Poetas e Zumbi

Livro "Caboclos, Poetas e Zumbi: poesias soteropolitanas" de Moisés Costa Pinto

Não é todo dia que publico um livro, e aqui está: “Caboclos, Poetas e Zumbi – poesias soteropolitanas” já está disponível para ser baixado na Amazon (para vocês que tem Kindle). (Em breve teremos a versão imprensa para vocês desfrutar meus queridos poemas em tinta e papel).

Baixe o livro pro seu Kindle clicando aqui.

Caboclos, Poetas e Zumbi: poesias soteropolitanas”

“Caboclos, Poetas e Zumbi: poesias soteropolitanas” coleta o que há de mais poético em Salvador, mais especificamente, a poesia e os momentos poéticos entre a Praça do Campo Grande, a Praça Castro Alves e o Pelourinho – lugares icônicos da capital baiana; os poemas trazem histórias, causos, sonhos e misticismos que imaginam diferentes Salvadores e soteropolitanos, que são, ao mesmo tempo, moldados e moldam a Cidade da Baía de Todos os Santos. 

As poesias soteropolitanas do livro são inspiradas em três lugares icônicos da cidade de Salvador: o Caboclo, no Campo Grande, a estátua de Castro Alves, na Praça Castro Alves, e a estátua de Zumbi dos Palmares, no Pelourinho; múltiplas histórias e personagens, a própria cidade sendo uma delas, são mobilizados para contarem poesias soteropolitanas. Morar no Rio Vermelho (boêmio e poético por natureza) há quatro anos me proporcionou um olhar mais poético sobre a cidade e sobre suas experiências vividas nos ambientes soteropolitanos, em especial no roteiro Praça do Campo Grande, Praça Castro Alves e Praça da Sé/Pelourinho: lugares que cheiram a poesia soteropolitana.

Ficha Técnica 

Editora: Publicação própria

Autor: Moisés Costa Pinto

Produção Executiva: Laíse Castro

Capa, ilustrações e projeto gráfico: Tuíris de Azevedo

Fotografia: Amanda Penna

Prefácio: Wesley Correia

Assessoria de imprensa: Dayanne Pereira (Conectada Comunicação Integrada)

Urban Command and Control Centers (UCCC) in cities

In this article we propose to investigate the Urban Command and Control Centers (UCCC), new tools for urban management accepted in infocommunication technologies. We start with the conceptualization of what UCCC would be and then analyze some of their impacts on cities, such as the creation of urban operating systems (OS), predictive analyzes on urban plans and the incident of smartsurveillances of urban actors – three aspects that depend on the data collected by infocommunication technologies (such as sensors, technological hardware, applications, software for collecting, storing, processing and analyzing data, etc.) installed in the UCCCs. Our conclusion is that the Urban Command and Control Centers can contribute to amplify the notion of the network-State, and produce new flags of control over spaces and urban bodies.

Keywords: Urban Command and Control Centers, Urban Operating Systems, Infocommunication Technologies, Smartsurveillances, Cyberculture.

O (bom) jornalismo não perdoa ninguém

O papa é pop e o jornalismo não perdoa ninguém” – já dizia aquela bandinha famosa nos idos anos 1980/90… ou quase isso.

Foi-se o tempo em que estudantes secundaristas – apaixonados – sonhavam em entrar nas faculdades de jornalismo Brasil afora por causa do “glamour” da profissão na telinha! “Plim plim!” Me recordo, como ontem, que ao entrar na Faculdade de Comunicação da Ufba (um dos lugares que mais amo na vida) muitos parentes, amigos e conhecidos me abordaram, em momentos diferentes mas em sintonia, com a seguinte frase: “e ai, quando vai trabalhar na Globo?! Quando vou te ver no jornal?!”.

Assustado, a pergunta me lançava ao lugar comum do que deveria ser o jornalista, e, além de estranha, não caia bem aos meus ouvidos e muito menos encontrava eco em meus neurônios juvenis. Resultado: eu bugava!

A tela azul do Windows aparecia.

Pois, devo esclarecer, não foi Willian Bonner, todo engomadinho na minha TV, o motivo pelo qual desejei fazer jornalismo. Para ser franco, no momento que entrei na Facom, nem eu mesmo sabia direito o que estava fazendo ali – aliás, como quase todo jovem no começo da faculdade: era um lugar estranho, com gente esquisita e que lia Adorno, McLuhan, Mafessoli, Tom Wolf, Capote, Traquina, Bourdieu etc. E, assim como quase todo jovem na faculdade – pelo menos os que conheci-, só fui descobrir o que estava fazendo ali já quase no meio do curso. Antes tarde que nunca, mas descobri.

Descobri uma cachaça pior que a original água ardente: a informação de qualidade, com pitadas de pensamento complexo.

O bom jornalismo vestido de palhaço mata oito

Fazer um jornalismo de qualidade é muito fácil, ao contrário do que muitos dizem: ele requer honestidade, curiosidade e apuração. Com essas três ferramentas na mão é possível lapidar um diamante bruto em uma baita reportagem.

Dito isso, para fazer um bom jornalismo será sempre difícil: ninguém quer que informações sensíveis sejam divulgadas ou que alguns nomes sejam comprometidos pelo brilho irradiado do bom jornalismo. E quando isso acontece, quando o jornalismo mata 8 em roupa de palhaço, os jornalistas são acusados de “politicagem”. De repente, o jornalismo não é mais jornalismo: se divulga algo comprometedor, mesmo com interesse público, é logo taxado de partidário ou de “propagador de fake news”. Aff!

Lamento dizer, mas, o papel do jornalismo não é agradar as pessoas, nem mesmo ao leitor. O papel do jornalismo é oferecer a verdade em uma bandeja de prata à sociedade. Por isso, o jornalismo é um cão de guarda: ele pode morder até mesmo seu cuidador! E, precisamos defender que continue assim. Uma democracia não sobrevive sem um jornalismo mordedor, implacável e independente. Quando alguém acusa o jornalismo de querer o mal (ou coisa pior), desconfie. Certamente essa pessoa é alvo fácil do nosso anão vestido de palhaço.

ps: Dancemos!