Como não ter medo de ter medo?

Medo é um tabu! “Ter medo”, mais precisamente. Quem tem medo é “fraco”. O medo dos outros “é dos outros, não me atinge”. Infelizmente, muitas vezes, nossa empatia estaciona ai. Pode até ser que estejamos imunes ao medos do resto do mundo, mas e os seus? E os meus? Negar o monstrinho que habita em nós só piora a situação.

Comigo funciona assim, às vezes, eles – sim, no plural – me paralisam. Não importa se tenho toda pauta organizadinha ~minuciosamente~ à minha frente, ou se tenho todo tempo pra realizá-las… kabooom! o medo do fracasso (o mais presente em minha vida) transporta-se para dentro do meu frágil corpo de carbono e água.

Algumas vezes fiquei paralisado de forma literal. Fiquei vendo o tempo passar no relógio por ter medo de não realizar aquilo que deveria fazer da melhor forma possível. Eu nem mesmo tentava fazer o que tinha que ser feito! Em 100% dessas vezes, que esse medo aparatava, eu fazia outra coisa “mais fácil” ou que não tinha relação com o principal. Não ficava em pânico, mas, ainda assim, isso era (é) um saco!

Conversa franca com meus medos

Minha luta diária com meus medos é para acabar com eles: tento abraçá-los (e afugentá-los ao mesmo tempo). O que tento fazer é educá-los: primeiro, digo para eles que está tudo bem, compreendo-os; depois, simplesmente, tento ignorá-los, mesmo berrando e sacudindo minha pobre alma; e, finalmente, tento chutá-los para o mais longe possível. Miro sempre o espaço – o objetivo é que fiquem na Lua e não voltem.

Acontece que nem sempre consigo. Fazer oquê?! Todavia, não tenho alternativa, preciso continuar lutando contra mim mesmo (essa fazenda de medos).

Meus medos são meus e, ao chegar no último degrau, representam meu próprio Eu – subconsciente ou não – tentando me sabotar por alguma razão que só Deus, Tupã e Oxalá sabem.

Meu ponto é: não devemos ter medo de ter medo. Talvez devamos nos preocupar mais em ter falta de medos do que, propriamente, com eles. De certa forma, eles nos mantêm vivos e, sabe, é ‘ok’ quando colocados lado a lado dos outros sentimentos que explodem em nosso interior todos os dias. Só não podemos deixar crescerem como a noite sobre uma tarde de inverno. Às vezes pode demorar um bocado para acendermos uma pequena e frágil vela… mas sempre conseguiremos iluminar a sala com ela!

Aprender a controlar meus medos não é fácil, ainda estou descobrindo e talvez nunca os domine de fato. C’est la vie – é a vida! E por ela me arisco todos os dias a continuar lutando contra meus principais algozes.

Por fim, o desafio de encarrar meus medos e vê-los cair por terra é uma das coisas que me mantém de pé a cada dia. A satisfação de vencê-los é única.

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